Sim, a Depressão de Inverno existe e é a forma mais comum de Perturbação Afetiva Sazonal – Seasonal Affective Disorder (SAD). Ela caracteriza-se por episódios depressivos recorrentes, relacionados com a sazonalidade e, normalmente, tem início no outono ou no inverno.
Como qualquer depressão, ela necessita de acompanhamento e de tratamento. Portanto, este é um problema de saúde que não deves desvalorizar. Fica a perceber melhor como ele funciona.
Depressão de inverno: será mito ou realidade?
Na base desta perturbação, estarão fatores biológicos e ambientais. A desregulação de neurotransmissores como a serotonina e a superprodução de melatonina podem ser duas causas da alteração do humor e do aumento do sono e do cansaço, respetivamente. Todas estas mudanças afetam o ritmo circadiano.
O facto dos dias serem sombrios e chuvosos e haver menos luz solar nestas estações faz com que haja uma diminuição dos níveis de vitamina D, o que também influencia o estado anímico do indivíduo.
Sintomas
Este tipo de depressão é mais frequente nos países do hemisfério norte (por haver menos horas de luz solar), podendo afetar indivíduos de qualquer idade, género ou posição socioeconómica. Contudo, ela é mais recorrente na idade adulta e em mulheres.
Como na maior parte dos casos de depressão, os pacientes sentem-se tristes, de mau humor e com pouca energia. Assim, quem sofre desta perturbação apresenta-se cansado, letárgico ou irritado; chora com frequência; possui dificuldade em concentrar-se; e dorme mais do que o normal.
Tudo isto conduz a um isolamento social crescente e a um aumento do apetite, sobretudo por hidratos de carbono e açúcares, o que leva a um ganho de peso que potencia ainda mais a baixa auto-estima e a depressão.
Tratamento
A resolução deste problema de saúde irá variar, necessariamente, de pessoa para pessoa. Em alguns casos, pode ser indispensável a toma de antidepressivos e a participação em terapias cognitivo-comportamentais. Porém, muitos especialistas defendem que a Terapia da Luz é a solução mais eficaz e natural para esta perturbação.
Norman Rosenthal, psiquiatra, foi o primeiro a descrever este transtorno depressivo e a executar este tipo de terapia que consiste na exposição dos pacientes a luz artificial, semelhante à luz solar, usando para isso aparelhos específicos. Esta técnica ajuda a “corrigir” o ritmo circadiano e a produzir hormonas benéficas ao estado de espírito, como a serotonina.
Prevenção
Ficares fechado em casa à espera que o inverno passe não é, seguramente, a melhor opção. Para evitares esta perturbação, deves aproveitar ao máximo os dias de sol que o inverno português oferece. Quando a luz solar não marcar presença, abre na mesma as cortinas e as persianas e não deixes de sair de casa.
Neste sentido, há várias atividades recomendáveis, tais como:
- fazeres passeios ao ar livre;
- abrires as janelas ou persianas de casa;
- acordares mais cedo para beneficiares do máximo de luz solar;
- procura ficares sempre junto de janelas ou outro ponto de entrada de luz;
- faz uma caminhada de 10 a 20 minutos pela manhã;
- pratica exercício físico, preferencialmente ao ar livre;
- se fores de férias, escolhe destinos com mais sol;
- faz uma alimentação saudável, com muitas frutas e legumes da época.
Se sentes que, desde que o inverno chegou, não estás bem interiormente, então esse pode ser um sinal de que precisas de ajuda especializada.
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